terça-feira, 7 de julho de 2009

Os Herdeiros do D&D3e

Poisé, o dia do juízo final está chegando. O D&D3e é um sistema velho e cheio de entulho, com mais suplementos do que caberiam numa estante abastada; o peso dos anos e do sucesso fez que existissem mais feats, itens, magias e regras que qualquer mestre são se arriscaria em permitir em suas campanhas, e mais opções para criação de personagens do que o mais matemático dos jogadores teria paciência de explorar.

Com a chegada da Quarta Edição, muitos jogadores ficaram aliviados. Foi como dizer "Pois bem, acabou o sufoco".

O público brasileiro é diferente do americano e é pouco provável que ocorra uma migração massiva para o D&D4e nos próximos anos por uma série de motivos que eventualmente explicarei em algum post. Mesmo assim, a tendência é que isso eventualmetne ocorra.

Até lá, existe muito chão. Qual desses sistemas parece o sucessor mais provavel para o D&D3e no Brasil?

Pathfinder
Pathfinder é o que podemos chamar de "D&D 3.75". A Paizo juntou um time competente e que aposta no feedback dos jogadores para melhorar o jogo, e o resultado foi um sistema de regras bem mais balanceado e dinâmico que o D&D original, e ainda sim compatível com o material anteriormente lançado.

Claro que as maiores falhas de design do D&D continuam; os encontros não são totalmente equilibrados, os conjuradores são mais poderosos que as outras classes e não existe muito esforço em tornar as coisas mais simples. Mesmo assim, o sistema é muito superior ao D&D3e padrão, e vale a pena para todos, já que nenhum material antigo fica inutilizado.

Por outro lado, não existe previsão de tradução para o sistema. A versão em inglês pode ser baixada gratuitamente do site da Paizo, mas o inglês ainda é um obstáculo. Provavelmente essa seria a melhor opção para quem investiu dinheiro em livros da terceira edição e não quer mudar de sistema, mas gostaria de atualizações e material novo.


Tormenta d20
Eu não gosto de Tormenta, mas isso não me impede de apreciar a qualidade do material. Com ilustradores como Andre Vazzios e Erica Awano, é impossível não elogiar a arte dos livros. Além disso, as regras baseadas no OGL são modificadas levemente para se adequar ao cenário, e um jogador de D&D3e não encontrará nenhum problema ao migrar.

Por outro lado, o livro foi feito com a Geração 3d&t em mente, e não agrada com facilidade o pessoal mais antigo. Muitos jogadores escolhem Tormenta por falta de opção, seja financeira, acesso à livros ou idiomática. O texto não é muito bom em muitos pontos, com a impressão que faltou uma revisão mais profunda. As novas regras e opções nem sempre são balanceadas (algumas são incrívelmente desbalanceadas), mas existe a chance disso ser proposital.

Tormenta permanecerá em d20 por um longo tempo, mas com o fim do D&D, é provável que eles se adaptem às mudanças nos próximos anos e tornem o sistema mais independente.

Mutants & Masterminds (Warriors & Warlocks)
Eu jogo M&M desde o lançamento da primeira edição e provavelmente pertenço ao mais antigo grupo do sistema no Brasil. Por esse motivo, não consigo falar "Mutantes & Malfeitores" sem ficar com nó na garganta. Mesmo assim, uma das promessas para substituir o D&D3e é o M&M.

M&M é um sistema genérico baseado em d20, utilizado para jogos de super-heróis. Sua mecânica sem pontos de vida, classe ou níveis, simula muito bem a realidade das histórias em quadrinhos, e o suplemento W&W leva isso às histórias em quadrinhos medievais fantásticas. As regras são leves e fáceis de entender, além de o livro ser bem barato.

Por outro lado, é mais provável que M&M assuma o lugar deixado por GURPS como sistema genérico, e deixe o caminho livre para outros sistemas substituírem o D&D.

D&D4e
Pois é. O sistema é diferente o suficiente para inutilizar todos seus livros velhos, mas é semelhante o suficiente para que só leve umas poucas horas para aprender. É bem menos entulhado que D&D3e, e muito mais equilibrado - na verdade, é possível arriscar que o sistema é um dos mais balanceados que existe em termos de combate. Além disso, ele é bem mais simples, fácil e rápido que a terceira edição.

Apesar dos reviews negativos que muita gente deu (inclusive, muita gente que não jogou de verdade), o sistema é bem robusto e dinâmico. Os jogadores sempre se sentem heróicos e poderosos, além de existir uma atenção enorme para o trabalho em equipe. O Livro do Mestre é uma jóia a parte, se tornando finalmente indispensável.

Esqueçam o que leram nas revistas especializadas ou nos blogs comuns. Experimente o D&D4e. Diga por si o que é bom e o que é ruim. Teste novamente, tente entender o motivo das regras. O pessoal do Rolando20 é uma excelente fonte de idéias, com opiniões mais abertas sobre o assunto que a maioria dos sites por ai, então deem uma olhada.

Concluindo
D&D3e está morto. Longa vida ao D&D4e. Ou ao seu sistema substituto favorito. Os suplementos oficiais vão se esgotar das bancas, e estaremos fadados à migrar para outros jogos.

Qual deles você escolhe?

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